sábado, 22 de outubro de 2011

Níveis de Conhecimento



CONHECIMENTO e FILOSOFIA

Para os que ainda não são iniciados na filosofia é preciso entender o que é conhecimento. Do ponto de vista nerobiolóigoco, mas também do ponto de vista da psiconeurologia o conhecimento é uma capacidade de <> (MORIN, Edgar. O Método 2: A Vida da Vida, pág. 250).

Porém, no âmbito especificamente filosófico, o conhecimento é entendido como sendo a relação existente entre sujeito cogniscente e objeto cognoscível. Trata-se de uma relação onde o sujeito conhece e o objeto é conhecido.

A finalidade do conhecimento é descrever, prever e manipular determinados fenômenos e/ou objetos. O método do conhecimento consiste em descrever o fenômeno em suasparticularidades (espaço) e suas estruturas (função) para poder prever e manipular este fenômeno. É indispensável que citemos os tipos de conhecimentos quando nos referimos à relação sujeito-objeto.

Iniciemos pelo conhecimento empírico ou senso-comum. Ele é ametódico, tem por finalidade facultar a sobrevivência e apresentar respostas provisórias para determinados acontecimentos. Seu objeto é o mundo empírico do cotidiano. No senso comum, as explicações não são necessariamente verdadeiras nem convincentes. É o agricultor que, olhando para o céu pela manhã ou à tardinha, prevê se no outro dia choverá ou não.

Há também o conhecimento religioso que apresentar respostas para as angústias da existência humana. Este tipo de conhecimento, tal como o empírico, é ametódico, não necessariamente verdadeiro e-ou convincente. Além do mais, todas as religiões possuem alguns aspectos que são comuns: o rito, a moral e o dogma. Entretanto, o discurso e as religiões instituídas podem ter uma função sociológica e tentar apresentar respostas para questões como as da morte, do finito e do infinito, do bem e do mal, do certo e do errado, do pecado e da virtude etc. As religiões admitem a existência de um Ser supremo, que tudo cria e ordena.

Do conhecimento religioso passemos ao filosófico. Ele, diferente dos dois anteriores, possui um método, o reflexivo, que tem a finalidade de apresentar respostas racionais para os problemas da origem do ser (ontologia). A filosofia utiliza a relação de causa e efeito (aqui reside sua semelhança com a ciência) para entender a realidade. Ela tem como objeto o mundo, a realidade que é refletida de maneira racional. É típico do discurso filosófico se preocupar com o “por quê” e o princípio ultimo das coisas.

Por fim, citemos o conhecimento científico. Seu método é experimental, utilizando-se da observação e da edificação de leis gerais – a partir das categorias de similaridade e depois passando à categoria da generalização – que regem os fenômenos. O objeto do conhecimento cientifico é o mundo físico e sua finalidade é descrever rigorosamente, prever e manipular determinados fenômenos. É o que faz a química, a botânica, a medicina etc.

domingo, 4 de setembro de 2011

Mito e Filosofia



O que é um mito?

Um mito é uma narrativa sobre a origem de alguma coisa (origem dos astros, da

Terra, dos homens, das plantas, dos animais, do fogo, da água, dos ventos, do bem e do mal, da saúde e da doença, da morte, dos instrumentos de trabalho, das

raças, das guerras, do poder, etc.).

A palavra mito vem do grego, mythos, e deriva de dois verbos: do verbo mytheyo

(contar, narrar, falar alguma coisa para outros) e do verbo mytheo (conversar, contar, anunciar, nomear, designar). Para os gregos, mito é um discurso pronunciado ou proferido para ouvintes que recebem como verdadeira a narrativa, porque confiam naquele que narra; é uma narrativa feita em público, baseada, portanto, na autoridade e confiabilidade da pessoa do narrador. E essa autoridade vem do fato de que ele ou testemunhou diretamente o que está narrando ou recebeu a narrativa de quem testemunhou os acontecimentos narrados.

Quem narra o mito?

O poeta-rapsodo. Quem é ele? Por que tem autoridade? Acredita-se que o poeta é um escolhido dos deuses, que lhe mostram os acontecimentos passados e permitem que ele veja a origem de todos os seres e de todas as coisas para que possa transmiti-la aos ouvintes. Sua palavra - o mito – é sagrada porque vem de uma revelação divina. O mito é, pois, incontestável e inquestionável.

Como o mito narra a origem do mundo e de tudo o que nele existe?

De três maneiras principais:

1. Encontrando o pai e a mãe das coisas e dos seres, isto é, tudo o que existe decorre de relações sexuais entre forças divinas pessoais. Essas relações geram os demais deuses: os titãs (seres semi-humanos e semidivinos), os heróis (filhos de um deus com uma humana ou de uma deusa com um humano), os humanos, os metais, as plantas, os animais, as qualidades, como quente-frio, seco-úmido, claro-escuro, bom-mau, justo-injusto, belo-feio, certo-errado, etc.

A narração da origem é, assim, uma genealogia, isto é, narrativa da geração dos

seres, das coisas, das qualidades, por outros seres, que são seus pais ou antepassados.

Tomemos um exemplo da narrativa mítica.

Observando que as pessoas apaixonadas estão sempre cheias de ansiedade e de plenitude, inventam mil expedientes para estar com a pessoa amada ou para seduzi-la e também serem amadas, o mito narra a origem do amor, isto é, o nascimento do deus Eros (que conhecemos mais com o nome de Cupido):

Houve uma grande festa entre os deuses. To dos foram convidados, menos a deusa Penúria, sempre miserável e faminta. Quando a festa acabou, Penúria veio,

comeu os restos e dormiu com o deus Poros (o astuto engenhoso). Dessa relação sexual, nasceu Eros (ou Cupido), que, como sua mãe, está sempre faminto, sedento e miserável, mas, como seu pai, tem mil astúcias para se satisfazer e se fazer amado. Por isso, quando Eros fere alguém com sua flecha, esse alguém se

apaixona e logo se sente faminto e sedento de amor, inventa astúcias para ser amado e satisfeito, ficando ora maltrapilho e semimorto, ora rico e cheio de vida.

2. Encontrando uma rivalidade ou uma aliança entre os deuses que faz surgir

alguma coisa no mundo. Nesse caso, o mito narra ou uma guerra entre as forças divinas, ou uma aliança entre elas para provocar alguma coisa no mundo dos homens. O poeta Homero, na Ilíada, que narra a guerra de Tróia, explica por que, em certas batalhas, os troianos eram vitoriosos e, em outras, a vitória cabia aos gregos. Os deuses estavam divididos, alguns a favor de um lado e outros a favor

do outro. A cada vez, o rei dos deuses, Zeus, ficava com um dos partidos, aliavase com um grupo e fazia um dos lados - ou os troianos ou os gregos - vencer uma batalha.

A causa da guerra, aliás, foi uma rivalidade entre as deusas. Elas apareceram em sonho para o príncipe troiano Paris, oferecendo a ele seus dons e ele escolheu a deusa do amor, Afrodite. As outras deusas, enciumadas, o fizeram raptar a grega

Helena, mulher do general grego Menelau, e isso deu início à guerra entre os humanos.

3. Encontrando as recompensas ou castigos que os deuses dão a quem os desobedece ou a quem os obedece. Como o mito narra, por exemplo, o uso do fogo pelos homens? Para os homens, o fogo é essencial, pois com ele se diferenciam dos animais, porque tanto passam

a cozinhar os alimentos, a iluminar caminhos na noite, a se aquecer no inverno quanto podem fabricar instrumentos de metal para o trabalho e para a guerra. Um titã, Prometeu, mais amigo dos homens do que dos deuses, roubou uma centelha de fogo e a trouxe de presente para os humanos. Prometeu foi castigado

(amarrado num rochedo para que as aves de rapina, eternamente, devorassem seu fígado) e os homens também. Qual foi o castigo dos homens?

Os deuses fizeram uma mulher encantadora, Pandora, a quem foi entregue uma caixa que conteria coisas maravilhosas, mas nunca deveria ser aberta. Pandora foi enviada aos humanos e, cheia de curiosidade e querendo dar a eles as maravilhas, abriu a caixa. Dela saíram todas as desgraças, doenças, pestes, guerras e, sobretudo, a morte. Explica-se, assim, a origem dos males no mundo.

Vemos, portanto, que o mito narra a origem das coisas por meio de lutas, alianças

e relações sexuais entre forças sobrenaturais que governam o mundo e o destino

dos homens. Como os mitos sobre a origem do mundo são genealogias, diz-se que são cosmogonias e teogonias.

A palavra gonia vem de duas palavras gregas: do verbo gennao (engendrar, gerar, fazer nascer e crescer) e do substantivo genos (nascimento, gênese, descendência, gênero, espécie). Gonia, portanto, quer dizer: geração, nascimento a partir da concepção sexual e do parto. Cosmos, como já vimos, quer dizer mundo ordenado e organizado. Assim, a cosmogonia é a narrativa sobre o nascimento e a organização do mundo, a partir de forças geradoras (pai e mãe) divinas.

Teogonia é uma palavra composta de gonia e theós, que, em grego, significa: as

coisas divinas, os seres divinos, os deuses. A teogonia é, portanto, a narrativa da origem dos deuses, a partir de seus pais e antepassados.

Qual é a pergunta dos estudiosos? É a seguinte: A Filosofia, ao nascer, é, como já

dissemos, uma cosmologia, uma explicação racional sobre a origem do mundo e

sobre as causas das transformações e repetições das coisas; para isso, ela nasce de uma transformação gradual dos mitos ou de uma ruptura radical com os mitos? Continua ou rompe com a cosmogonia e a teogonia?

Duas foram as respostas dadas.

A primeira delas foi dada nos fins do século XIX e começo do século XX, quando reinava um grande otimismo sobre os poderes científicos e capacidades técnicas do homem. Dizia-se, então, que a Filosofia nasceu por uma ruptura radical com os mitos, sendo a primeira explicação científica da realidade produzida pelo Ocidente.

A segunda resposta foi dada a partir de meados do século XX, quando os estudos

dos antropólogos e dos historiadores mostraram a importância dos mitos na organização social e cultural das sociedades e como os mitos estão profundamente entranhados nos modos de pensar e de sentir de uma sociedade.

Por isso, dizia-se que os gregos, como qualquer outro povo, acreditavam em seus mitos e que a Filosofia nasceu, vagarosa e gradualmente, do interior dos próprios

mitos, como uma racionalização deles.

Atualmente consideram-se as duas respostas exageradas e afirma-se que a Filosofia, percebendo as contradições e limitações dos mitos, foi reformulando e racionalizando as narrativas míticas, transformando-as numa outra coisa, numa explicação inteiramente nova e diferente. Quais são as diferenças entre Filosofia e mito? Podemos apontar três como as mais importantes:

1. O mito pretendia narrar como as coisas eram ou tinham sido no passado imemorial, longínquo e fabuloso, voltando-se para o que era antes que tudo existisse tal como existe no presente. A Filosofia, ao contrário, se preocupa em explicar como e por que, no passado, no presente e no futuro (isto é, na totalidade do tempo), as coisas são como são;

2. O mito narrava a origem através de genealogias e rivalidades ou alianças entre

forças divinas sobrenaturais e personalizadas, enquanto a Filosofia, ao contrário, explica a produção natural das coisas por elementos e causas naturais e impessoais.

O mito falava em Urano, Ponto e Gaia; a Filosofia fala em céu, mar e terra. O mito narra a origem dos seres celestes (os astros), terrestres (plantas, animais, homens) e marinhos pelos casamentos de Gaia com Urano e Ponto. A Filosofia explica o surgimento desses seres por composição, combinação e separação dos quatro elementos - úmido, seco, quente e frio, ou água, terra, fogo e ar.

3. O mito não se importava com contradições, com o fabuloso e o incompreensível, não só porque esses eram traços próprios da narrativa mítica, como também porque a confiança e a crença no mito vinham da autoridade religiosa do narrador. A Filosofia, ao contrário, não admite contradições, fabulação e coisas incompreensíveis, mas exige que a explicação seja coerente, lógica e racional; além disso, a autoridade da explicação não vem da pessoa do filósofo, mas da razão, que é a mesma em todos os seres humanos.

segunda-feira, 7 de setembro de 2009

FALANDO SOBRE EDUCAÇÃO

Educação Brasileira na Ótica Filosófica

Introdução

A educação pública no Brasil, já teve seu período pomposo que vai desde o Brasil Império até a ditadura militar. Nessa época, as escolas eram públicas, porém direcionadas a classe burguesa do país. Até então havia uma grande procura pelos cursos de direito e medicina que além da profissão de educador, eram profissões bastante valorizadas. Contudo, na década de 1930 com a promulgação da lei que proporcionava alguns direitos básicos as mulheres, houve um grande aumento pela procura a profissão de educador, o que a desvalorizou consideravelmente. Esse fato agravou-se ainda mais durante a ditadura militar, quando muitos professores foram perseguidos, torturados e mortos. com a queda do regime militar, foram investidas verbas altas na construção de escolas públicas. Embora houvesse mais escolas, os educadores, desvalorizados, em pouco puderam ser instruídos, e a população sem força para cobrá-lo, foi impulsionada ao nível educacional decadente que nos encontramos hoje.
Observo hoje a realidade da educação brasileira e vejo que o país que antes era visto como o país do futuro está atado a uma realidade bem do passado. Só pra citar um exemplo, no séc. XIX e início do séc. XX a Alemanha sofria forte influência militar, e à beira da Primeira Grande Guerra o governo incentivava fortemente a leitura de material científico e revistas de informação para toda a população alemã, inclusive custeando-as, algo que teve como resultado um “Booooom” tecnológico para toda a humanidade, visto que, grandes cientistas alemães dentre eles Albert Einstein são frutos dessa geração.
Mas qual o motivo para este tipo de incentivo? A resposta é simples, tendo um povo mais bem educado e um exército mais informado o “reich” teria forte vantagem militar o que compensaria a falta de contingente militar se comparado às outras nações, algo que realmente foi observado durante a guerra ( a média inicial era de 1 baixa alemã para cada 6 baixas inimigas).
Se levarmos em consideração que atualmente no Brasil as publicações de caráter científico são quase que em suma publicadas pela internet e para se ter acesso é preciso estar cadastrado por meio de uma instituição superior de ensino ou então à órgãos de incentivo a pesquisa, afirmo que o Brasil nega informação à sua população, uma vez que internet é privilégio de poucos e a relação com instituições de ensino e órgãos de pesquisa privilégio de quase ninguém.

Problemas da Educação no Brasil
A educação Brasileira apresenta alguns problemas são eles:
● O trabalho dos governos, nos planos federal, estadual e municipal, e da iniciativa privada, mobilizados pela opinião pública, conseguiu aumentar o número de crianças e adolescentes brasileiros que freqüentam os bancos escolares. Mas a qualidade do ensino continua ruim, conseqüência do preparo insuficiente dos mestres, da falta de estrutura dos estabelecimentos de ensino e de uma série de outros fatos negativos.
● A repetência no Brasil, é a mais grave na América Latina, e o pouco tempo em que as crianças ficam na escola são dois dos aspectos negativos da educação no país. Dezoito por cento das meninas e 25% dos meninos repetem o ano
● A Falta de uma melhor remuneração aos mestre e incentivos de especializações, motivações são um dos fatores culminante da queda de produção destes profissionais.
Remunerar melhor os professores – tentando a dedicação em tempo integral ao mister de educar ministrar treinamento aos mestres, equipar e proporcionar segurança às escolas parecem, na atual quadra da vida nacional, os caminhos aconselháveis para alcançar os objetivos
É imprescindível acrescentar que qualquer progresso material, por mais expressivo que seja, pouco vale se a população não tiver uma sólida base educacional e cultural. O mundo está repleto de situações que atestam essa verdade

Educação brasileira de Qualidade
Temos consciência que vivemos em uma sociedade de informação, onde confunde-se muito esses dois termos. Porém conhecimento não se reduz a informação. O ato de conhecer implica em um processo, de deve-se trabalhar com as informações classificando-as, analisando-as e contextualizando-as.
Além disso é necessário para se ter conhecimento e poder transmiti-los ter inteligência, esta tem a ver com a arte de vincular conhecimento de maneira útil e pertinente, isto é, de produzir novas formas de progresso e desenvolvimento. Consciência e sabedoria envolvem reflexão, isto é capacidade de construir novas formas de existência, de humanização.
É nesse contexto que se pode entender as relações de conhecimento e poder, a informação confere vantagens para quem à possui. Deste modo é que surge a repressão à informações, como também á manipulação de informações.
O acesso a informação não se da igualmente á todos os cidadãos, então é preciso trabalhar a informação para se construir a inteligência. Mas pode a inteligência pode ser cega e isso afeta o poder do conhecimento, uma vez que o poder não é intrínseco a aqueles que produzem o conhecimento, mas aqueles que os produtores de conhecimento.
Portanto não basta produzir o conhecimento, mas é preciso produzir as condições de produção do conhecimento. Ou seja, conhecer significa estar consciente do poder do conhecimento para a produção da vida material, social e existencial da humanidade.
Qual a possibilidade da escola trabalhar o conhecimento?
Sempre existiu uma polêmica com relação as instituições escolares se ela realmente ensinam ou informam, mas abe-se que a escola e os professores tem um grande trabalho a fazer com as crianças e jovens, que é proceder a mediação entre a sociedade da informação e os alunos, no sentido de possibilitar-lhes pelo desenvolvimento da reflexão adquirirem a sabedoria necessária á permanente construção do humano.
A educação então, é entendida como um processo de humanização: que ocorre na sociedade humana com o objetivo de tornar os indivíduos participantes do processo civilizatório, e responsável por leva-lo adiante, enquanto prática social, é realizada por todas as instituições da cidade. Enquanto processo sistemático e intencional é realizado por alguns entre a escola.
Quando se afirma que a escola precisa encontrar novas formas de ensino e aprendizagem, se deseja sobreviver os momentos difíceis que atravessa, não se tem em mente apenas aperfeiçoar as atuais formas de ensino e aprendizagem, torná-las mais eficientes e, ao mesmo tempo, como se fosse possível, mais agradáveis. O que critica é o próprio modelo, ou paradigma de aprendizagem, e, conseqüentemente de ensino, que hoje impera. Conseqüentemente, é preciso “virar as coisas de ponta cabeça”, recomeçar do zero.
É interessante notar que o modelo ou paradigma que hoje é hegemônico não possui fundamentação teórica ou justificativa séria. Quando as coisas são colocadas nestes termos, poucos são os que explicitamente endossam a tese de que educar é ensinar às crianças os fatos, os conceitos e, se for o caso, os procedimentos envolvidos nas várias disciplinas: estudos sociais ou, especificamente, história, geografia; ciências ou, especificamente, biologia, física, química; matemática; filosofia; língua materna; uma língua estrangeira. Esse modelo ou paradigma foi se infiltrando na escola, e acabou alcançando condição de hegemonia, apenas porque é mais fácil de ser colocado em prática do que as alternativas. Na realidade, ele contradiz virtualmente tudo o que sabemos sobre o que é que motiva as crianças a aprender e como elas de fato aprendem.
Não se pode ignorar que antes de entrar na escola a criança aprende uma quantidade enorme de coisas: aprende a diferenciar a suas impressões sensoriais e a identificar objetos e pessoas; aprende a pegar e a manipular objetos; aprende a ficar de pé e eventualmente a andar; aprende a gostar de determinadas coisas e a não gostar de outras, desenvolvendo nítidas preferências; aprende a responder adequadamente ao contato de terceiros (conhecidos ou estranhos); aprende a identificar sons, em especialmente os sons da fala humana; aprende primeiro a expressar o que deseja através de gestos e sinais, aprende a imitar gestos e sons e, eventualmente, aprende a falar; aprende a se alimentar sozinha; aprende a controlar sua bexiga e seus intestinos; aprende que não deve fazer determinadas coisas; aprende a demonstrar carinho e a agredir os outros, quando contrariada; aprende eventualmente a identificar símbolos, desenhos, sons e mesmo palavras escritas com seus referentes – e assim por diante. Algumas crianças aprendem até mesmo a ler e a escrever virtualmente sozinhas. Outras crianças aprendem a se locomover, sem se perder, em espaços relativamente complexos – como um sítio ou mesmo as ruas de uma grande cidade.
Registre-se, porque de fundamental importância, que nenhum desses aprendizados envolve a absorção pura e simples de informação – em todos eles o essencial é o desenvolvimento de competências e habilidades – sensório-cognitivas, psico-motoras, emocionais e sociais (interpessoais). Registre-se ainda que em nenhum desses casos há um processo de ensino formal e institucionalizado: a criança aprende observando, imitando, e respondendo a intermitentes intervenções (estimulações ou provocações, no bom sentido) daqueles que compartilham o seu mundo.
Além do mais, aprender todas essas coisas dá grande prazer às crianças – sua curiosidade inata as torna automotivadas e em nenhum momento o aprendizado lhes parece doloroso ou entediante. Aprender é parte de sua vida – na verdade, a parte principal da sua vida. Brincar, para elas, é aprender, e aprender é brincar.
Se, ao entrar na escola, o aprendizado subitamente se torna aborrecido e mesmo sofrido para as crianças, isto parece ser muito mais por falha da escola do que das próprias crianças – pois nada fundamental se altera nelas, além do fato de que seu aprendizado agora deve se processar principalmente no ambiente organizado e estruturado da escola, que altera drasticamente a natureza do processo de aprendizagem.
Conclusão
O passo fundamental, é a consciência da importância da educação por parte dos cidadãos, pois é a educação que faz que sejamos críticos, não aqueles que criticam apenas por criticar, mas aqueles capazes de criticarem e reelaborarem novos conceitos, conceitos estes capazes de mudar, transformar e até mesmo revolucionar, tudo para chegar a um ponto de equilíbrio.
A educação é a chave para uma sociedade mais justa. Tentar através do conhecimento uma maior politização e esclarecimento ideológico, visto que, este nos proporciona a base para entender o mundo, não aceitar as coisas de imediato, não acreditar no que parece ser óbvio, e compreender conceitos, mitos a ponto de nós criarmos os nossos próprios conceitos.

O PAPEL SOCIAL DA FILOSOFIA

Relação entre Ética e Ciência. o papel social da ciência e o ensino da ciência.
Fabiane weber da Silva[1]

Introdução

Poucos nomes são de fato relevantes, no decorrer da história, quando falamos da disciplina Ética. Talvez possamos começar por citar Aristóteles, que sistematizou esta disciplina em três tratados (Ética a Nicômaco, Eudemo e a Grande Ética), também não deveríamos deixar de citar a outros autores, como a exemplo N. Maquiavelli, o qual nos apresenta o humano na sua vivência diária, mostrando-no o que ele, por vezes, de fato é, o que se bem que não seja um tratado sobre a forma ideal do homem conviver em sociedade, é um tratado sobre a forma factual como o humano vive em sociedade.
Seguindo nesta linha de pensamento, chegamos a I. Kant, talvez conjuntamente com Aristóteles, sejam os dois maiores expoentes do pensamento ético. Kant fundamentará sua Ética no indivíduo racional, criador de máximas que podem vir a se tornarem leis sócio-culturais cuja obediência se dá pelo respeito e dever auto imposto e não por sofrimento e dor infringidos externamente no caso de desobediência dos mesmos, ou seja, é o dever e não o temor a mola mestra do proceder ético segundo Kant. Uma mesma ação passa a ser vista ora como Ética e ora como não Ética, de acordo com os sentimentos subjetivos nela envolvidos.
Todos os anteriores a Kant viram somente os aspectos objetivos da Ética, ou seja, a ação executada, o efeito externo e não interno da mesma. Caberá a Kant realçar, também, os aspectos subjetivos do proceder Ético. Ora, se um indivíduo executa uma dada ação por temor às conseqüências que poderiam advir da não execução da mesma, seu proceder não pode e não deve ser considerado como ético, se bem que a ação em si, livre do indivíduo que a executa, o possa ser.
Uma ação só será vista como um comportamento ético por parte do indivíduo quando os fatores internos envolvidos o motivam a executar a mesma por um profundo sentimento de respeito à lei e jamais por temor ou na expectativa de recompensas futuras.
A Ética em Kant, portanto, traz esta e outras novidades para o domínio desta disciplina, fazendo com que o nome de Kant deva ser associado entre os maiores pensadores a apresentarem reais contribuições a esta importante disciplina.

Ética

Ética é a ciência da moral. O Ético é o concernente à moral. Moral: parte da Filosofia que trata dos costumes ou dos deveres do homem. estudo dos juízos de apreciação que se referem à conduta humana suscetível de qualificação do ponto de vista do bem e do mal, seja relativamente a determinada sociedade ou de modo absoluto.
Immanuel KANT, na Crítica da Razão Pura (1781), distingue ética e moral, ao afirmar que o homem é livre e que encontra em si mesmo o guia de sua ação, a lei moral, um imperativo categórico que o faz agir de acordo com sua natureza, a qual distingue, de maneira inata, o certo e o errado. Só quando alguém faz alguma coisa por considerar seu dever seguir a lei moral é que se pode então falar em ação moral. Só quando agimos segundo a lei moral é que agimos em liberdade. (História do comerciante que devolve o troco correto à menina ingênua: ao agir por dever, tem uma atitude moral; ao agir conforme o dever respeita a ética dos negócios).

Ciência e Ética

Não é só em relação á possibilidade de verdade das teorias científicas que a filosofia da ciência deve se debruçar. Outras questões ainda surgem no mundo contemporâneo em relação à ciência. Elas dizem respeito ao sentido, ao valor e aos limites éticos do conhecimento científico.
O termo “bioética” foi introduzido na década de 70 pelo biólogo e oncologista Van Rensselaer Potter. O biólogo procura mostrar que os valores éticos não podem estar separados dos fatos biológicos. Com o avanço da medicina, especialmente da tecnologia biomédica, novos problemas foram colocados frente ao homem, e Potter, nesse sentido, defendeu que a necessidade de uma ética da vida se fazia presente para além das universidades, tendo que estar mais próxima das conquistas da ciência que afetavam a vida humana.
Antes da introdução do termo “bioética” por Potter, porém, o mundo vivenciou experiências marcantes contra a vida. Ao final da Segunda Guerra Mundial, o Julgamento de Nuremberg no ano de 1945 tornou públicos os horrores cometidos contra os prisioneiros nos campos de concentração, os quais se realizaram em nome da pesquisa científica, do desenvolvimento da ciência e da tecnologia. Um exemplo de experiências realizadas nos campos de concentração nazistas consistia em acompanhar o desenvolvimento de doenças como o tétano em mulheres, as quais recebiam injeções que continham as bactérias responsáveis pela doença. As infecções eram induzidas pelos médicos, e a aplicação de anestésicos não era feita para não comprometer o caráter científico da pesquisa. As experiências, portanto, voltavam-se apenas para a observação do desenvolvimento da doença, mas não incluíam qualquer tipo de tratamento.
A filósofa e socióloga de origem alemã naturalizada norte-americana Hannah Arendt (1906-1975), em seu livro Eichmann em Jerusalém, investigou a brutalidade do regime nazista, apontando como uma das sua principais características a forma racionalizada com que foi feito o extermínio de seis milhões de judeus nos campos de concentração. O emprego da tecnologia, ou seja, das câmaras de gás e dos fornos crematórios, era um procedimento frio, burocratizado, uma operação feita por funcionários públicos. Eichmann é o nome de um desses funcionários de Hitler, a quem Arendt identificou como um produto típico do regime nazista.
Analisando as condições em que se tornou possível o extermínio de um número tão grande de pessoas, Hannah Arendt concluiu que isso se deveu á banalização do mal, obtida através de uma prática cientificamente programada e racionalizada.
O surgimento da bioética nos Estados Unidos está ligado a alguns fatos que provocaram indignação pública em função do total desrespeito à vida humana. Em 1963, foram realizadas pesquisas com idosos, os quais receberam células tumorais sem que tivessem dado seu consentimento. Outra pesquisa realizada envolveu 400 negros portadores de sífilis, que, a partir dos anos 40 até a década de 70, foram investigados a fim de que o desenvolvimento natural da doença no organismo humano pudesse ser conhecido. Essas pessoas, portanto, foram deixadas sem tratamento, embora a penicilina já tivesse sido descoberta em 1945.
Para que abusos como esses não voltassem a ser cometidos, era preciso pensar os problemas suscitados pelo desenvolvimento da pesquisa biomédica e pela utilização de novas tecnologias a partir de bases que pudessem justificar determinadas práticas e condenar outras que atentassem contra a humanidade, o que seria possível através de uma reflexão ética sobre essas novas questões.
Diante desses fatos, foi criada em 1974, nos Estados Unidos, a Comissão Nacional para a Proteção dos Seres Humanos da Pesquisa Biomédica e Comportamental, para que as pesquisas que fossem realizadas a partir de então pudessem se guiar por princípios éticos que respeitassem a vida humana.
Em 1978, o Relatório Belmont, marcando o surgimento da abordagem principialista na bioética. O documento elaborado pela comissão apresentou três princípios éticos que deveriam nortear a realização de pesquisas envolvendo seres humanos, quais sejam, o princípio do respeito pela pessoa, o princípio da beneficência e o princípio da justiça.

➢ O princípio do respeito à autonomia
Respeitar a autonomia de uma pessoa implica reconhecer o direito dela ter suas próprias concepções, de fazer suas escolhas, bem como de agir em conformidade com seus valores e crenças. Esse respeito deve ser um reconhecimento permanente de que as pessoas têm direito de atuar em concordância com suas próprias convicções. É por isso que respeitar a autonomia não significa somente não intervir nas escolhas dos indivíduos, mas também propiciar as condições para que as ações autônomas possam ser realizadas. Isso se faz evitando as circunstâncias que podem impedir as pessoas de atuarem autonomamente, como, por exemplo, por medo ou diante da falta de conhecimento acerca de uma situação. O respeito à autonomia, portanto, é uma ação que se dá quando o direito da autonomia das pessoas é assegurado, reconhecido e promovido.

➢ O princípio da não-maleficência
O princípio da não-maleficência está intimamente ligado à máxima “Primum non nocere”: “Em primeiro lugar, não causar dano”. Esse princípio possui uma longa tradição na ética médica, pois tem suas origens no Juramento Hipocrático seguido por todos os médicos. Dessa forma, apresenta-se como um princípio de relevância na prática moral, especialmente na prática biomédica, já que serve como orientação efetiva aos profissionais da saúde.

➢ O princípio da beneficência
Um ato beneficente pode ser classificado como aquele que proporciona um bem a alguém. Ações beneficentes, portanto, são todas aquelas que beneficiam as pessoas. Já o princípio da beneficência tem caráter imperativo, expressa uma obrigação moral de agir em benefício das pessoas. A beneficência, assim, distingue-se da benevolência, que pode ser caracterizada como uma virtude que leva o agente a praticar atos beneficentes. O princípio da beneficência exige das pessoas que elas ajam de forma a promover o bem.

➢ O princípio da justiça
O termo “justiça” é interpretado a partir da justiça distributiva e se relaciona à “distribuição igual, eqüitativa e apropriada, determinada por normas justificadas que estruturam os termos da cooperação social”, Nesse sentido, a justiça distributiva difere de outros tipos de justiça, como é o caso da justiça penal, a qual está relacionada à aplicação de sanções. “A justiça distributiva refere-se, geralmente, à distribuição de todos os direitos e responsabilidades na sociedade, incluindo, por exemplo, direitos civis e políticos”

O Papel Social da Ciência

A humanidade necessita, urgentemente, de uma nova sabedoria que fornecerá o “conhecimento de como usar o conhecimento” para a sobrevivência do homem e para a melhora na qualidade de vida. Esse conceito de sabedoria como guia para a ação – o conhecimento de como usar o conhecimento para o bem social – pode ser chamado Ciência da Sobrevivência, certamente o pré-requisito para melhorar a qualidade de vida. Eu tomo a posição de que a ciência da sobrevivência deve ser construída sobre a ciência da biologia e estendida para além dos limites tradicionais para incluir os elementos mais essenciais das ciências sociais e humanidades, com ênfase na filosofia em sentido estrito, “amor da sabedoria”. Uma ciência da sobrevivência deve ser mais que apenas ciência, e eu, por essa razão, proponho o termo Bioética a fim de enfatizar os dois mais importantes ingredientes para alcançar a nova sabedoria que é tão desesperadamente necessária: conhecimento biológico e valores humanos.
Essa nova ciência possibilitaria a reflexão sobre os avanços da ciência tanto quanto sobre os seus limites, a fim de que o futuro da humanidade pudesse ser garantido e a melhoria da qualidade de vida das futuras gerações alcançada. Para isso, “um instinto de sobrevivência não é suficiente. Nós devemos desenvolver a ciência da sobrevivência, e ela deve começar com um novo tipo de ética – a bioética”(Potter, 1971,p 4)

O Ensino de Ciências
O Conhecimento Científico pode ser: real ou factual - lida com ocorrências, fatos, isto é, toda forma de existência que se manifesta de algum modo. Contingente - suas proposições ou hipóteses têm a sua veracidade ou falsidade conhecida através da experimentação e não pela razão, como ocorre no conhecimento filosófico. Sistemático - saber ordenado logicamente, formando um sistema de idéias (teoria) e não conhecimentos dispersos e desconexos. Verificável - as hipóteses que não podem ser comprovadas não pertencem ao âmbito da ciência. Falível - em virtude de não ser definitivo, absoluto ou final. Aproximadamente exato - novas proposições e o desenvolvimento de novas técnicas podem reformular o acervo de teoria existente.
A Ciência como vimos é ensinada por intermédio de várias técnicas, um conjunto de conceitos, noções e experiências que determinam o caráter científico. Além disso, mais do que apresentar soluções, a contribuição das ciências para o avanço do conhecimento se concentra em identificar os problemas emergentes da sociedade.





REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
POTTER, V. R. 1971. Bridge to the Future. New Jersey, Prentice-Hall/Englewood Cliffs.
KANT. IMMANUEL Crítica da razão pura. Tradução de Manuela P. dos Santos e Alexandre F. Morujão. Lisboa: Fundação Calouste Gulbenkian, 1989.
______. Crítica da razão prática. Tradução de Valério Rohden. São Paulo: Martins Fontes, 2002.
[1] Professora de filosofia licenciada pela Universidade Federal de Pelotas

A HISTÓRIA DO PENSAMENTO FILOSÓFICO NO BRASIL

Filosofia no Brasil

A Revolução Industrial, o modelo de produção capitalista e as idéias de liberdade, igualdade e fraternidade da Revolução Francesa representavam o repensar das tradições, dos valores e das formas de viver e organizar a sociedade brasileira. A educação se inseria nesse contexto como salvação nacional, baseada no cientificismo e nas virtudes cívicas e patrióticas.
No Brasil a educação pós independência não obedecia a planos ou métodos definidos, visto que a preocupação das autoridades educacionais da época era estabelecer o ensino obrigatório como uma maneira de garantir a freqüência dos alunos às suas respectivas escolas, mesmo com toda a deficiência das mesmas (leis e regimentos descontextualizados, distantes de um processo ensino-aprendizagem).
O ensino era tido como público e gratuito voltado para a responsabilidade pela divulgação da ciência como a grande criação da humanidade, de maneira a torná-la acessível a todos. Em 1885 surgiram então os conflitos instalados pela oposição de idéias do Corpo Docente da Escola Normal (Religião da Humanidade) e pelo Estado Imperial (Religião Católica), detentor do poder político da época. O enfoque maior desse conflito era que pregar o positivismo enquanto Religião da Humanidade violava a Constituição de 1824, que considerava a Religião Católica Apostólica Romana como a religião do Império.
O resultado desse conflito foi a censura e a punição dos professores ditos positivistas e a reformulação da grade curricular da Escola Normal de São Paulo inserindo nesta a religião e evitando assim a perseguição dos segmentos católicos. Benjamin Constant, ministro e secretário de
Estado dos negócios da instrução pública, correios e telégrafos, e professor da Escola militar, foi um
adepto das idéias de Augusto Comte e introduziu o positivismo na educação brasileira, através da Instrução Pública Primária e Secundária de 1890/1891, oficializando um modelo de ordem escolar fundado no "sentido prático" como condição primeira para o progresso do conhecimento científico e da evolução humana. Para Constant a instrução era o meio mais poderoso para o engrandecimento moral e material do Brasil.
Como vimos até aqui A história da nosso país nos mostra a importância que ensino de Filosofia pode engendrar nos rumos político-social de uma sociedade, visto que, durante a ditadura militar, o ensino de filosofia foi banido das escolas. Pois ela levaria os jovens ao questionamento, o que não era de interesse dos militares que estavam e visavam permanecer no controle político do país.
O ensino de Filosofia sempre foi encarado como um passo importante para a educação, politização e esclarecimento ideológico, visto que, este nos proporciona a base para entender o mundo, não aceitar as coisas de imediato, não acreditar no que parece ser óbvio, e compreender conceitos, mitos a ponto de nós criarmos os nossos próprios conceitos.
O conhecimento da Filosofia faz com que sejamos críticos, não aqueles que criticam apenas por criticar, mas aqueles capazes de criticarem e reelaborarem novos conceitos, conceitos estes capazes de mudar, transformar e até mesmo revolucionar, tudo para chegar a um ponto de equilíbrio.

Filósofos Brasileiros

Marilena de Sousa Chauí

Marilena de Sousa Chauí (
São Paulo, 4 de setembro de 1941) é uma historiadora de filosofia brasileira. Professora de Filosofia Política e História da Filosofia Moderna da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da Universidade de São Paulo (FFLCH-USP). É mestre (1967. Merleau-Ponty e a crítica do humanismo), doutora (1971,Introdução à leitura de Espinosa) e livre docente de Filosofia (1977, A nervura do real: Espinosa e a questão da liberdade) pela USP. É casada com o historiador Michael Hall. Chauí é autora de vários livros, dentre os quais se destacam:
➢ "Repressão Sexual",
➢ "Da Realidade sem Mistérios ao Mistério do Mundo",
➢ "Brasil: Mito Fundador e Sociedade Autoritária",
➢ "Professoras na Cozinha",
➢ "Introdução à História da Filosofia",
➢ "Experiência do Pensamento",
➢ "Escritos Sobre a Universidade",
➢ "Filosofia: Volume Único",
➢ "Convite à Filosofia",
➢ "
O que é Ideologia",
➢ "Política em Espinosa" ,
➢ "A Nervura do Real",
➢ "Espinosa: Uma Filosofia de Liberdade",
➢ "Brasil: Mito fundador e sociedade autoritária",
➢ "Cidadania Cultural",
➢ "Simulacro e poder".
Obteve o seu doutorado com uma tese sobre o filósofo
Baruch de Espinosa. É reconhecida, não só pela sua produção acadêmica, mas pela participação efetiva no contexto do pensamento e da política brasileira. Já foi secretária municipal da Cultura na cidade de São Paulo durante o mandato da ex-prefeita Luiza Erondina (1988-1992).
Sua obra escrita obteve um sucesso apreciável no meio acadêmico, mas algumas de suas obras, de linguagem simples e intenção didática, também despertam interesse de leitores não ligados à academia. "O que é Ideologia" (Ed. Brasiliense, Coleção Primeiros Passos) tornou-se um
best-seller e já vendeu mais de cem mil exemplares, bastante acima da média de vendas dos livros no Brasil. Continua ligada ao Partido dos Trabalhadores (PT) e considera que a experiência à frente da Secretaria da Cultura do Município de São Paulo foi de extrema importância para tornar o trabalho ainda mais sintonizado com a realidade e os problemas nacionais.

Alguns prêmios e títulos
·
2004 Título de Doctor Honoris Causa, Universidade Nacional de Córdoba -Argentina.
·
2003 Título de Doctor Honoris Causa, Universidade de Paris VIII - França.
·
2000 Prêmio Jabuti para o melhor livro brasileiro de humanidades A nervura do real, Câmara Brasileira do Livro.
·
2000 Prêmio Multicultural Estadão - pela obra cultural e filosófica e pelo livro 'Nervura do real', O Estado de São Paulo.
·
1999 Prêmio Sérgio Buarque de Holanda - melhor livro brasileiro de ensaios 'A nervura do real', Biblioteca Nacional.
·
1995 Ordem do Mérito, Ministério da Educação e Cultura da República Árabe da Síria.
·
1994 Prêmio Jabuti - para 'Convite a Filosofia', como melhor livro didático, Câmara Brasileira do Livro.
·
1992 Ordre des Palmes Académiques, Presidência da República da França.

Apolinário José Gomes Porto-Alegre

Apolinário José Gomes Porto-Alegre (
Rio Grande, 29 de agosto de 1844–Porto Alegre, 23 de março de 1904) foi um escritor, historiógrafo, filósofo, poeta e jornalista brasileiro. É considerado um dos mais importantes autores nascidos no estado do Rio Grande do Sul.
Vida
Apolinário Porto-Alegre nasceu na
cidade de Rio Grande, pertencente à província do Rio Grande do Sul. Teve como pais Antônio José Gomes Porto-Alegre (inspetor da alfândega de Rio Grande) e Dona Joaquina Delfina da Costa Campelo Porto Alegre. Em sua família, o interesse pela literatura também se manifestou em seus dois irmãos: Apeles e Aquiles José Gomes Porto-Alegre. Fez seus estudos primários em escola particular de Rio Grande, aos cuidados de seu primo Fernando Ferreira Gomes (1830-1896, filho do jornalista pioneiro Vicente Ferreira Gomes), que dirigia seu próprio estabelecimento de ensino naquela cidade desde 1853.
Por volta do ano de
1859, sua família muda-se para a cidade de Porto Alegre, onde tem contato com estudos na área de humanidades. Apolinário, dois anos depois, em 1861, inicia um curso na Faculdade de Direito de São Paulo, não concluindo o mesmo, devido ao falecimento de seu pai, em setembro de 1863. Retornando ao seu estado-natal, para sustentar sua família, começa a trabalhar como professor, primeiramente particular.
Foi depois contratado na escola particular do médico
Cyro José Pedrosa, um nome tradicional no ensino público da província. Logo passaria a dirigir suas próprias escolas: em 1867 undava seu primeiro estabelecimento de ensino: o Colégio Porto Alegre, com a assistência do irmão Aquiles. Em 1870, agora com o irmão Apeles como auxiliar, criava o Colégio Rio-Grandense. Deixou o irmão na direção em 1876 para inaugurar, com o colega Hilário Ribeiro, o Instituto Brasileiro, seu mais ambicioso e duradouro projeto. Esta escola, localizada na estrada do Caminho do Meio, nos arredores de Porto Alegre, funcionando como internato, deveria oferecer, para além de uma educação formal, uma formação integral que habilitasse a nova geração a construir um novo país republicano. Apolinário, com seu caráter republicano, numa época que não havia um partido republicano no estado, comemorava na escola datas como a Revolução Francesa e a Revolução Farroupilha. A escola funcionou por 16 anos até encerrar suas atividades em 1892.

Sociedade Pártenon Literário
Juntamente com um grupo de
republicanos e liberais funda, no dia 18 de junho do ano de 1868, na cidade de Porto Alegre, a Sociedade Pártenon Literário, de caráter romântico e regionalista. A Sociedade começou a publicar, em 1869, um periódico intitulado "Revista Mensal". O periódico teve várias interrupções e vários nomes. São eles:
· Revista Mensal;
· Revista do Pártenon Literário;
· Revista Contemporânea.
Foi neste periódico que Apolinário Porto-Alegre começou a publicar seus primeiros trabalhos, como
romances, contos, críticas, poesias, peças de teatro, etc. A Sociedade durou até o ano de 1880.
Murmúrios do Guaíba
Um grupo de autores resolvem abandonar a Sociedade Pártenon Literário, por volta do ano de
1870. Eles decidem, então, criar um novo periódico intitulado Murmúrios do Guaíba. O foco da publicação era o Rio Grande do Sul, mais especificamente, suas história, tradições, literatura, música, entre outros. Apolinário inicia, então, a colaborar com os textos presentes no Murmúrios do Guaíba, rompendo com o Pártenon Literário. Durante este período escrevendo, Apolinário, muitas vezes, assumiu os pseudônimos de Iriema ou Bocaccio. Colaborou com o jornal A Imprensa, o primeiro jornal republicano diário do estado, fundado por seu irmão Apeles. Durante a Exposição Brasileira Allemã criticou duramente a Carlos von Koseritz pelo modo que a exposição foi conduzida.
O escritor ainda escreveria para várias revistas e jornais. Destacam-se:
·
A Reforma;
·
A Democracia;
·
A Federação;
·
Gazeta de Porto Alegre;
·
Jornal do Comercio;
·
O Guarani;
·
O Industrial.
Visão e atuação política
Apolinário Porto-Alegre era entusiasta da
república. Fundou o Club Republicano, convidando amigos, conhecidos e pessoas em geral, que dividissem os mesmos ideais. No entanto, desentendimentos internos fizeram com que ele abandonasse o clube, fundando logo depois a União Nacional, com o apoio do Partido Liberal. Tempos depois, a União Nacional mudou o seu nome para Partido Federalista. No ano de 1889, após a proclamação da república no Brasil, Apolinário Porto-Alegre se alia à Silveira Martins que lutava contra o governo do marechal Deodoro da Fonseca.
Obra
A obra de Apolinário Porto-Alegre possui como características o regionalismo e o romantismo. O Rio Grande do Sul é a temática de várias publicações, sendo sua principal
O Vaqueano, de 1872. Alguns críticos afirmam que a obra foi inspirado no livro O Gaúcho, de José de Alencar.
Conto
· Paisagens (
1874)
Historiografia
· História da Revolução de 1935
Poesia
· Poesias bromélias (com o pseudônimo de Iriema) (1874)
· Cabila (1874)
· Flores da morte (póstumo) (1904)
Romance
· Os palmares (
1869)
· O vaqueano (1872)
· Feitiço de uns beijos (
1873)
· Lulucha (publicano na revista O Guarani) (1874)
· Crioulo do pastoreio (
1875)
· Gracina
· Vaqueiro
· Flor da laranja
· Os dois amores
· O homem e o século
Teatro
· Cham e Jafé (
drama) (1868)
· Benedito (
comédia) (1872)
· Sensitiva (drama) (1873)
· Mulheres! (comédia) (1873)
· Jovita (colaboração de Menezes Paredes)
· Os filhos da desgraça (drama) (1874)
· Epidemia política (comédia) (1874)
· Ladrões da honra (drama) (1875)
Outros
· Viagem a Laguna (
1896)
· Populário sul-rio-grandense
· Morfologia ário-guaranítica (
1880)
· Dialeto nacional

Bento Prado Júnior

Bento Prado de Almeida Ferraz Júnior, conhecido como Bento Prado, ou Prado Jr. (Jaú, 21 de agosto de 1937—São Carlos, 12 de janeiro de 2007), foi professor de Filosofia na Universidade de São Paulo, posteriormente, na Universidade Federal de São Carlos, filósofo,escritor, professor, crítico literário, tradutor e poeta brasileiro.
Carreira e biografia
Na
USP defendeu em 1965 sua tese de livre-docência sobre Bergson. Presença e campo transcendental: consciência e negatividade na filosofia de Bergson, defendida em 1965, só seria lançado em livro no ano de 1988, pela Edusp – em 2002, foi traduzido e publicado na França. Editou apenas mais três títulos: Alguns ensaios, em que reúne artigos de filosofia e de crítica literária(Max Limonad, 1985) e Erro, ilusão, loucura (Editora 34, 2004). Organizou ainda Filosofia da psicanálise (Brasiliense, 1991).
Graduação na
USP e pós-doutorado na Centre National de la Recherche Scientifique, professor titular na Universidade Federal de São Carlos. Produziu obras bastante eclética, entre elas: história da filosofia, filosofia da psicanálise, filosofia da linguagem, crítica literária e poesia. É tido, por muitos, como um dos maiores ensaístas da filosofia brasileira.
Em
1985, publicou "Alguns Ensaios: Filosofia, Literatura e Psicanálise", obra com que começou a se destacar como escritor. Foi colaborador da Unicamp, a Unesp e a PUC e é professor emérito da USP
Cassação, exílio, retorno
Foi aposentado compulsoriamente pela
ditadura militar em abril de 1969, na ação conduzida pelo então ministro da Justiça, Gama e Silva, na verdade reitor licenciado da universidade, contra seus próprios colegas, inclusive o vice-reitor em exercício, Hélio Lourenço. Bento Prado Jr. foi cassado juntamente com seu colega José Arthur Giannotti e autoexilou-se na França, de onde somente retornou no final dos anos 70, para lecionar, primeiro na Pontifícia Universidade Católica de São Paulo e depois na UFSCar, onde se tornou titular.
Suas obras
· "Presença e Campo Transcendental: Consciência e Negatividade na Filosofia de
Bergson", Edusp, 1989
· "Filosofia da Psicanálise", Brasiliense, 1991
· "Alguns Ensaios", Paz e Terra, 2000
· "Erro, Ilusão, Loucura" Editora 34, 2004
· "A retórica de Rousseau e outros ensaios", organizado por Franklin de Mattos, Cosac Naify, 2008

ÉTICA E FILOSOFIA

O Ensino de Filosofia como uma tentativa de Reeducação ética em uma sociedade capitalista:
construção de uma problematização Histórico filosófica-educacional


Introdução
A história da nosso país nos mostra a importância que ensino de Filosofia pode engendrar nos rumos político-social de uma sociedade, visto que, durante a ditadura militar, o ensino de filosofia foi banido das escolas. Pois ela levaria os jovens ao questionamento, o que não era de interesse dos militares que estavam e visavam permanecer no controle político do país.
O ensino de Filosofia sempre foi encarado como um passo importante para a educação, politização e esclarecimento ideológico, visto que, este nos proporciona a base para entender o mundo, não aceitar as coisas de imediato, não acreditar no que parece ser óbvio, e compreender conceitos, mitos a ponto de nós criarmos os nossos próprios conceitos.
O conhecimento da Filosofia faz com que sejamos críticos, não aqueles que criticam apenas por criticar, mas aqueles capazes de criticarem e reelaborarem novos conceitos, conceitos estes capazes de mudar, transformar e até mesmo revolucionar, tudo para chegar a um ponto de equilíbrio.
O objetivo deste artigo é encarar o ensino de Filosofia,não com um caráter apenas transmissivo-assimilativo, ainda que crítico; mas como um ensino de Filosofia a partir de uma aprendizagem crítica dentro da própria prática.
O Papel do Educação no Desenvolvimento do cidadão
Podemos fazer a seguinte pergunta o que é ser um cidadão? É o individuo que possui direitos políticos? Ou são chamados assim pois possuem deveres sociais? Na verdade, o cidadão esta para além disto, a origem da palavra é grega, vem do latim “civitas” que designava os habitantes das cidades-estados romanas. Na polis grega havia um categoria de cidadão muito parecida com a atual, mas somente tinha direito as cidadania homens adultos, e proprietários de terras nascido na cidade. Eram excluídos da cidadania as mulheres, crianças e estrangeiros. O termo cidadania então é um pouco contraditório com a concepção atual, visto que, a ideia de cidadania é exatamente a revindicação de direitos.
Devemos tecer o termo cidadão então, através desta idéia, um indivíduo capaz de por si próprio de exercer sua cidadania, consciente de que possui sim direitos, mas também deveres, capaz de não se deixar manipular pelo sistema capitalista, alguém integro, ético, politizado.
O contexto do mundo atual impõe um grande desafio aos educadores: a formação de pessoas com habilidades necessárias para transformar informação em conhecimento e conhecimento em ações conseqüentes; a velocidade com que são produzidas e repassadas as informações exige uma forma mais elaborada de apreensão, possibilitando, assim, relacioná-las e delas extrair tudo aquilo que está implícito. Além disso, o indivíduo desta sociedade em rápida transformação, terá maior êxito se interagir com o meio.
Daí a importância desta educação filosófica, como podemos chamar, não é papel somente da filosofia, mas de todas as ciências, desenvolver o espirito crítico dos cidadãos. Mas a filosofia deve servir sempre como fonte de reflexão da realidade, subjetiva do sujeito ou da mundo.
Se ela tem por objetivo a formação da cidadania, primeiramente deve ficar bem claro que essa formação se dá essencialmente pelo fato da Filosofia buscar uma compreensão mais profunda da realidade, contudo isso, o cidadão deve desenvolver sua consciência que para compreender a si mesmo e a sua realidade, precisa ter clareza da relevância da Filosofia em suas ações, enquanto ser político e social situado na sociedade contemporânea.
Então, Ser cidadão é proceder de acordo com os valores estabelecidos pela sociedade em que estamos inseridos, pensar no outro como um outro eu, nisto se estabelece o direito e o dever, respeitar a todos que rodeiam como gostaríamos de ser respeitados e fazer pelo outro o que gostaria que fizessem por nós, esse é o princípio geral da Ética. Imannuel Kant defende essa ética universalista, tanto que desenvolve o principio do imperativo categórico,
[2] o filósofo alemão defendia que somos responsáveis por nossas escolhas, que é a função do imperativo categórico gerir o agir humano
A Filosofia como salvadora da Pátria
Para muitos esse termo salvador da pátria, pode até parecer pejorativo demais. Mas na verdade é uma máscara que caiu sobre o ensino desta disciplina, devido aos grandes índices de violência em que nosso pais esta mergulhado. seja na família,no esporte, na escola, há um lapso nas relações interpessoais. Alguns especialistas apontam o ensino da filosofia como uma saída deste caos. Tanto que, novamente em 2008 foi integrada nas escolas de ensino médio como disciplina obrigatória. Podemos nos indagar o por que desta reintegração filosófica?
Em Filosofia temos uma expressão chamada de atitude filosófica, Marilena Chauí
[3] afirma que assumimos essa postura quando começamos admitir como evidente, as coisas, os fatos, as situações, os valores, as idéias, os comportamentos, ou seja, é quando passamos a indagar as crenças que regem nossa vida. Assim a autora coloca:
Se, em lugar de discorrer tranqüilamente sobre “maior” e “menor” ou “claro” e “escuro”, resolvesse investigar: O que é a quantidade? O que é a qualidade? E se, em vez de afirmar que gosta de alguém porque possui as mesmas idéias, os mesmos gostos, as mesmas preferências e os mesmos valores, preferisse analisar: O que é um valor? O que é um valor moral? O que é um valor artístico? O que é a moral? O que é a vontade? O que é a liberdade? Alguém que tomasse essa decisão, estaria tomando distância da vida cotidiana e de si mesmo, teria passado a indagar o que são as crenças e os sentimentos que alimentam, silenciosamente, nossa existência. Ao tomar essa distância, estaria interrogando a si mesmo, desejando conhecer por que cremos no que cremos, por que sentimos o que sentimos e o que são nossas crenças e nossos sentimentos. Esse alguém estaria começando a adotar o que chamamos de atitude filosófica.
[4]

A partir desta idéia de atitude filosófica, indaga-se o verdadeiro sentido da Filosofia. E de que forma ela vai influenciar na vida e no cotidiano de cada indivíduo. É partindo desse conceito que a filosofia como disciplina curricular chama pra si, as atenções e a responsabilidade de estudar, debater e esclarecer conceitos éticos.
Podemos então pensar que o papel da filosofia nesse contexto. É trazer a tona discussões como: o que é ética? O que moral? Em que elas se distingue? Como por exemplo;
● A moral- é o conjunto de nornas, costumes e leis que norteiam a vida em uma sociedade.
● A ética- é a disciplina filosófica onde é refletida criticamente a moral, para se por em prática se for o correto.
Então podemos atestar que o Papel da filosofia como disciplina é justamente provocar essas discussões em sala de aula. Como vimos, anteriormente, a educação é a base para a formação de um cidadão mais politizado. E a filosofia é o instrumento para o esclarecimento. Ou seja, é responsável por despertar nos alunos a curiosidade, aguçar o senso crítico e o poder de questionamento. Karl Jaspers
[5] assim coloca sobre a importância de filosofar.
Filosofar é decidirmo-nos á despertar em nós à origem,é reencontramo-nos e agir, ajudando-nos á nós próprios com toda a força....orientar filosoficamente a vida, não é esquecer, é assimilar, não é desviar-se, é recriar intimamente, não é julgar tudo resolvido é clarificar
[6]

Por tudo isso, podemos evidenciar a importância da filosofia, que vai nesse processo educacional desempenhar papel fundamental na formação da cidadania,
A relação da filosofia com a educação existe desde o mundo grego. Os filósofos gregos, em busca da arete humana, foram os que deram início às discussões sobre a filosofia da educação e seu sentido no mundo. Viam na educação um meio necessário para o alcance de uma cultura ideal e de uma alma purificada, capaz de elevar o homem ao conhecimento inteligível,
Na contemporaneidade as discussões entre Haberrnas e Rorty, podem contribuir para esclarecer um pouco a importância da filosofia na educação. Habermas Pretende desenvolver os aspectos comunicativos da racionalidade, Afim de produzir conhecimentos universais, que visam os interesses sociais. Enquanto Rorty pretende a construção de uma sociedade tolerante, que admita e respeite as diferenças, As discussões dos pressupostos da linguagem auxiliam no entendimento crítico,Discutindo os pressupostos práticos da linguagem, os autores desenvolvem pontos em comum, valorizando a vida e as experiências cotidianas
Aqui podemos notar a filosofia sendo colocada com um caráter prático, e não assimilativo ou contemplativo. Seja voltado à politicas sociais ou apenas ao desenvolver do senso crítico individual de cada cidadão, a filosofia tem sim um caráter educativo ético, que vem contribuir para a construção de uma sociedade mais justa.
Conclusão
Podemos enfatizar então que o ensino de filosofia é uma tentativa de reeducação ética, visto que, em nossa sociedade maioria dos valores se perderam em meio a tanta alienação.
A filosofia vai buscar então na pratica escolar desenvolver valores, atitudes e sentido de justiça, A filosofia no Ensino Médio representa portanto a possibilidade de se preparar o educando para o exercício da cidadania, para seu aprimoramento enquanto pessoa humana, ou seja. enquanto cidadão.
Durante todo o texto enfatizamos a importância da dualidade educação-filosofia ou a necessidade de uma educação filosófica, ou ainda como diria Schiller, que há uma profunda necessidade de uma educação estética, onde à saída seria a sensibilidade humana, seja por intermédio da arte ou pelo desenvolvimento da sua cultura, a filosofia tem essa função, abrir caminho para o esclarecimento racional do Homem.

Referências Bibliográficas
TREVISAM,LUIS AMARILDO E ROSATTO, NOELI DUTRA, organizadores, Filosofia e Educação Confluências, santa maria,Facos-UFSM,2005;
ARANTES, IVANI CATARINA, A pesquisa em educação e as transformações do conhecimento. Fazenda org. Campinas, SP.PAPIRUS,1985. Coleção práxis.
SEVERINO, ANTONIO JOAQUIM,1941- Filosofia da Educação construindo a cidadania. SP.FDT,1994.
JASPERS, KARL, Iniciação Filosófica/ tradução Manuela pinto dos Santos, Guimarães editores. Lisboa.1993
REVISTA BRASILEIRA DE ESTUDOS PEDAGÓGICOS,V.1.n.1,RJ. Instituto Nacional de Estudos Pedagógicos,1994
[1] Professora de filosofia licenciada pela Universidade Federal de Pelotas
[2] Age somente, segundo uma máxima tal, que possas querer ao mesmo tempo que se torne lei universal." Kant E.; Fundamentos da metafísica dos costumes; RJ, Ediouro, sd:70-1,79.
[3] CHAUÍ, Marilena. Para que Filosofia? In: Convite à Filosofia. São
Paulo: Ática, 1997, 1º capitulo.
[4] CHAUÍ, Marilena. Para que F
[5] Jaspers. Karl “Iniciação Filosófica” p 116.117ilosofia? In: Convite à Filosofia. São
Paulo: Ática, 1997, 1º capitulo, p 6.
[6] Karl Theodor Jaspers Filósofo e psiquiatra alemão,